São Paulo, 19 de Outubro de 2026
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Centro-Oeste sente seca quase duas vezes mais que média nacional, aponta pesquisa

39% dos moradores da região citam estiagem prolongada e falta de água entre os principais impactos climáticos do último ano

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Brasil 61

Centro-Oeste sente seca quase duas vezes mais que média nacional, aponta pesquisa
Créditos: Brasil 61

O Centro-Oeste vivencia de forma mais intensa do que o restante do país os efeitos da estiagem e do calor extremo. É o que aponta pesquisa da Nexus, empresa de pesquisa de opinião da FSB Holding. Segundo o levantamento, 39% dos moradores da região citam a seca prolongada e a falta de água como um dos principais impactos climáticos sentidos no último ano, quase o dobro da média nacional, de 22%, e o maior percentual entre todas as regiões do país.

O calor também aparece com destaque na percepção da população local. Temperaturas acima do normal e ondas de calor intenso foram citadas por 63% dos entrevistados do Centro-Oeste, sendo o efeito mais mencionado na região. Chuvas excessivas e alagamentos foram apontados por 20% dos moradores, enquanto 14% relataram tempestades de vento e granizo. Os entrevistados podiam citar mais de uma ocorrência.

Segundo a pesquisa, os efeitos dos eventos climáticos extremos não se distribuem de forma uniforme pelo país: enquanto a estiagem ganha peso no Centro-Oeste, o Norte se destaca pela percepção do calor e o Sul pelas chuvas excessivas e alagamentos.

Alerta para a segurança hídrica e para a economia local

Para o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, o resultado chama atenção pelo papel econômico da região. Ele destaca que o Centro-Oeste, forte produtor agrícola e com biomas como o Cerrado e o Pantanal, sente a seca com intensidade quase duas vezes maior que a média do país, o que representa um alerta para a segurança hídrica e para a economia local.

Apesar da frequência de eventos extremos, o Centro-Oeste é a região com o menor percentual de moradores que acreditam que o clima mudou muito no último ano: 50%, ante uma média nacional de 56% e de 69% na Região Norte. Outros 34% dos moradores da região dizem perceber alguma mudança, o que eleva para 84% o total de quem notou alterações no clima.

Baixo conhecimento sobre o El Niño

O levantamento também revela um baixo nível de informação sobre o El Niño entre os moradores do Centro-Oeste: 40% afirmam não conhecer o fenômeno, percentual acima da média nacional, de 36%. Outros 21% dizem já ter ouvido falar, mas sabem pouco sobre o tema.

Depois de receberem uma explicação sobre os efeitos do El Niño, no entanto, 53% dos entrevistados da região passaram a demonstrar alto grau de preocupação.

Desconfiança na resposta aos eventos extremos

A pesquisa também mediu a percepção da população sobre a capacidade de resposta dos governos locais às crises climáticas. No Centro-Oeste, 61% dos moradores consideram que sua cidade está "nada preparada" para lidar com as consequências de eventos extremos, e outros 20% avaliam a preparação como "muito pouco adequada". Apenas 2% dos entrevistados apontam preparação total das autoridades locais.

Metodologia

O levantamento foi feito com 2.000 entrevistas presenciais, com abordagem domiciliar face a face e coleta de dados georreferenciados. A amostra é representativa de todos os estados do país, controlada, estratificada e segmentada por sexo, idade, renda e região.

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