São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Em dez anos, Complexo da Maré teve 160 mortes em operações policiais

O Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, registrou 160 mortes em dez anos. De 2016 a 2025, foram 231 operações policiais, e 1.538 episódios de violências e violações de direitos contra moradores no conjunto de 15 favelas que formam a comu

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Rádio Agência Nacional

Em dez anos, Complexo da Maré teve 160 mortes em operações policiais
Créditos: Rádio Agência Nacional

O Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, registrou 160 mortes em dez anos. De 2016 a 2025, foram 231 operações policiais, e 1.538 episódios de violências e violações de direitos contra moradores no conjunto de 15 favelas que formam a comunidade. 

O ano com mais vítimas foi 2019, com 30 mortes. Já em relação ao número de operações, o recorde foi em 2024, com 42 ações policiais na região.

Os dados estão na 9ª edição do Boletim Direito à Segurança Pública na Maré 2025, divulgado pela ONG Redes da Maré. O boletim também apresenta os impactos da violência armada em direitos básicos dos moradores da comunidade, como educação e saúde.

Para a coordenadora do eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça, Tainá Alvarenga, um dado que impactou muito no período foi o grande número de operações policiais com baixo registro de perícias no local. 

“O que a gente vem observando como padrão, é a não preservação da cena do crime por esses agentes de segurança que estão presentes nas operações policiais, a não entrada das instituições que são responsáveis pela perícia de local, com discursos de que esses territórios são instáveis, não estão estabilizados, na verdade”.

O documento destaca, ainda, que só em 2025 o dia a dia dos moradores sofreu interferências provocadas por ações de grupos armados na região: foram 11 mortes, além de registros de violência física, psicológica e verbal, ameaças, deslocamentos forçados, invasões de escolas e 141 registros de tiros.

Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que a instituição desconhece a metodologia utilizada na pesquisa e a possibilidade de rastreabilidade dos dados. E acrescentou que “atua com base em critérios técnicos, inteligência e planejamento operacional, com foco no cumprimento de mandados judiciais, na repressão qualificada ao crime organizado e na preservação de vidas.

A secretaria também disse que "quem escolhe o confronto é sempre o criminoso e, com isso, coloca em risco a integridade dos policiais envolvidos na ocorrência e também a vida de moradores, trabalhadores e outras pessoas que circulam nas áreas afetadas".

A Polícia Militar ainda não respondeu ao questionamento da reportagem sobre os efeitos das operações na comunidade. 

*Com informações da Agência Brasil

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