São Paulo, 19 de Outubro de 2026
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SAÚDE

Negacionismo fez brasileiros "perderem" 3,4 anos de vida na pandemia

A expectativa de vida da população brasileira caiu 3,4 anos durante a pandemia de covid-19, após aumento de 27,6% na mortalidade

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Agência Brasil

Negacionismo fez brasileiros "perderem" 3,4 anos de vida na pandemia
Créditos: Agência Brasil

A expectativa de vida da população brasileira caiu 3,4 anos durante a pandemia de covid-19, após aumento de 27,6% na mortalidade. É o que mostra a análise nacional do Estudo Carga Global de Doenças, maior pesquisa mundial sobre o impacto das doenças e fatores de risco nas populações de mais de 200 países. 

O documento está publicado na edição de maio da revista The Lancet Regional Health – Americas.

"As autoridades enfraqueceram as orientações científicas – rejeitando o distanciamento social, disseminando desinformação, promovendo medicamentos sem eficácia comprovada, atrasando a aquisição de vacinas, sob a justificativa de isso protegeria o país de um colapso econômico."

Apesar de a queda na expectativa de vida ter ocorrido em todo o país, há diferença significativa entre os números por unidades da Federação. 

Os três estados com a maior redução ficam na região Norte:

Rondônia: 6,01 anos; Amazonas: 5,84 anos; Roraima: 5,67 anos. 

Na outra ponta, com a menor redução, estão três estados da região Nordeste:

Maranhão: 1,86 anos; Alagoas: 2,01; Rio Grande do Norte: 2,11 anos. 

De acordo com o estudo, isso se deve ao fato de os governadores da região terem adotado com mais firmeza as medidas de contenção recomendadas por cientistas e autoridades sanitárias. 

"Na ausência de coordenação nacional, os governos estaduais do Nordeste formaram um consórcio com um comitê científico independente que implementou estratégias.”

O documento cita, por exemplo, o distanciamento social, o fechamento de escolas e comércios, a obrigatoriedade do uso de máscaras, políticas de proteção aos trabalhadores e sistemas de dados em tempo real. 

Os pesquisadores também defendem que o "impacto da pandemia sobre a carga de doenças e a expectativa de vida poderia ter sido mitigado em todo o país", se o governo federal à época tivesse adotado essa mesma abordagem. 

Uma demonstração disso é que o desempenho do Brasil no período foi pior do que o de outros países do Mercosul, como Argentina e Uruguai, e do Brics, como China e Índia.

"Um país com histórico bem-sucedido de cobertura vacinal como o Brasil ficou atrás na vacinação contra a COVID-19 devido à falta de organização, à demora na aquisição de vacinas e ao foco em medicamentos para ‘tratamento precoce’ sem evidências científicas de benefício."

Avanços

Apesar do retrocesso vivido durante a pandemia, o Brasil teve ganhos em saúde em uma análise maior de tempo.

De 1990 a 2023, a expectativa de vida subiu 7,18 anos e a mortalidade padronizada por idade, um indicador que nivela os efeitos do envelhecimento, caiu 34,5%. 

Da mesma forma, o índice que mede os anos saudáveis perdidos por morte ou doença reduziu 29,5%. 

Diversos fatores são apontados como responsáveis por essa evolução, como melhorias na qualidade de vida, incluindo avanço do saneamento básico e crescimento econômico.

A implementação do Sistema Único de Saúde, a criação do Programa de Saúde da Família e a ampliação da vacinação fazem parte da análise. 

Com isso, as taxas de quase todas as principais causas de morte no Brasil tiveram redução nas últimas décadas, ao considerar a mortalidade padronizada por idade.

As exceções foram doença de Alzheimer e outras demências, com aumento de 1%, e doença crônica renal, que cresceu 9,6% de 1990 a 2023. 

Em 2023, a maior causa de morte no Brasil foi a doença isquêmica do coração, seguida de AVC, e pelas infecções do trato respiratório inferior. 

Mas a principal causa de mortes prematuras foi a violência interpessoal. O estudo estima que o Brasil tenha perdido 1.351 anos de vida, a cada cem mil habitantes, por causa de mortes do tipo.

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