São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Na Espanha, Lula pede trabalho global pela democracia e fim de guerras

Em discurso na primeira reunião de mobilização progressista global em Barcelona, na Espanha, o presidente Lula foi claro: é preciso um trabalho diário e global para a restauração da democracia e do multilateralismo. Ele ainda alertou para os desafios

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Rádio Agência Nacional

Na Espanha, Lula pede trabalho global pela democracia e fim de guerras
Créditos: Rádio Agência Nacional

Em discurso na primeira reunião de mobilização progressista global em Barcelona, na Espanha, o presidente Lula foi claro: é preciso um trabalho diário e global para a restauração da democracia e do multilateralismo. Ele ainda alertou para os desafios impostos em tempos de extremismo e mostrou preocupação com mentiras e discursos de ódio, e disse quem, para ele, são os verdadeiros culpados por isso.

"O nosso papel é apontar o dedo para os verdadeiros culpados. Um punhado de bilionários concentra a maior parte da riqueza mundial. Eles querem que as pessoas acreditem que qualquer um pode chegar lá, alimentam a falácia da meritocracia, mas chutam a escada para que outros não tenham a mesma oportunidade de subir. Pagam menos impostos ou nada, exploram o trabalhador, destroem a natureza, manipulam algoritmos. A desigualdade não é um fato, é uma escolha política", apontou.

Para uma plateia de 5 mil pessoas, Lula também voltou a criticar as guerras e falou quem paga o preço por elas: o Sul Global:

"O Sul Global paga a conta de guerras que não provocou e de mudanças climáticas que não causou. É tratado como o quintal das grandes potências, é sufocado por tarifas abusivas e dívidas impagáveis. Volta a ser visto como mero fornecedor de matérias-primas. Ser progressista na arena internacional é defender um multilateralismo reformado, que a paz prevaleça sobre a força. É combater a fome e proteger o meio ambiente", disse.

Lula ainda mandou recados, dizendo que ninguém vai vencê-lo com mentiras, lembrando a época do tarifaço imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump, e disse quais armas tem:

"A minha arma é o argumento. A minha arma é a razão. Quando o presidente Trump taxou o Brasil, dizendo que tinha déficit com o Brasil, eu mostrei com documento: os Estados Unidos, em 15 anos, tiveram 410 bilhões de superávit com o Brasil. E eu disse: "Ninguém vai ganhar de mim com mentira". Eu não tenho a riqueza que ele tem, eu não tenho a tecnologia que ele tem e tampouco eu tenho o navio que ele tem. Eu não quero guerra. A única coisa que eu quero é dizer para ele que, mesmo sendo pobre, tem uma coisa que nós temos que ter, que é caráter, honestidade e decência", falou.

E aplaudido de pé, ainda fez um apelo.

"Desse encontro aqui, eu queria dizer ao presidente Trump, ao presidente Xi Jinping, ao presidente Putin, ao presidente Macron e ao primeiro-ministro da Inglaterra, que são os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU: pelo amor de Deus, cumpram com as suas obrigações de garantir a paz no mundo. Convoquem uma reunião e parem com essa loucura de guerra, porque o mundo não suporta mais", completou.

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