São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Lula diz que Brasil não vai insistir no acordo Mercosul-União Europeia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os países sul-americanos já cederam ao máximo nas tratativas sobre o acordo de livre-comércio com a União Europeia e que o Brasil não deve insistir nas negociações caso a decisão seja novamente adiad

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Rádio Agência Nacional

Lula diz que Brasil não vai insistir no acordo Mercosul-União Europeia
Créditos: Rádio Agência Nacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os países sul-americanos já cederam ao máximo nas tratativas sobre o acordo de livre-comércio com a União Europeia e que o Brasil não deve insistir nas negociações caso a decisão seja novamente adiada.

“Eu já avisei pra eles, se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente. Faz 26 anos que a gente espera esse acordo. O acordo é mais favorável para eles do que para nós. Eu agora estou sabendo que eles não vão conseguir aprovar. Está difícil porque a Itália e a França não querem fazer por problemas políticos internos.”

O presidente fez a declaração durante reunião ministerial em Brasília, nesta quarta-feira.

O governo avalia que um adiamento para fevereiro ou março abriria caminho para novos obstáculos à confirmação do pacto comercial. A expectativa era de que as negociações fossem finalizadas na próxima cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu, neste sábado, mas a oposição da Itália e da França tem dificultado o desfecho das tratativas.

Durante um pronunciamento nesta quarta-feira, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que é prematuro para a União Europeia assinar um acordo com o Mercosul. Meloni destacou que é preciso que haja garantias de reciprocidade suficientes para proteger o setor agrícola europeu. A França já havia comunicado que vai se opor a qualquer tentativa de avançar em um acordo com o bloco sul-americano.

O Parlamento Europeu aprovou, na última terça-feira, mecanismos para permitir que os benefícios tarifários concedidos ao Mercosul possam ser suspensos temporariamente, caso a União Europeia avalie que algum setor agrícola local foi prejudicado quando a entrada de produtos sensíveis, como carne bovina ou aves, aumentar 5% na média de 3 anos. Na proposta original, o limite era de 10%. Por causa da mudança, o novo texto terá que ser negociado novamente com o Conselho Europeu. As tratativas para resolver impasses comerciais já duram 26 anos.

O acordo criaria um mercado comum com 722 milhões de habitantes e PIB combinado de R$ 122 trilhões. A União Europeia é o 2º maior parceiro comercial do Mercosul em bens, atrás somente da China. Em 2024, as exportações sul-americanas para o bloco foram de R$ 370 bilhões.

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