São Paulo, 19 de Outubro de 2026
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Plantas consideradas extintas são reencontradas em Minas Gerais

Duas espécies raras de plantas, que eram consideradas “extintas” há 30 anos, foram encontradas na região do Quadrilátero Ferrífero, no centro-sul de Minas Gerais, em uma área protegida e mantida pela mineradora Vale. A descoberta é de pesquisadores d

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Rádio Agência Nacional

Plantas consideradas extintas são reencontradas em Minas Gerais
Créditos: Rádio Agência Nacional

Duas espécies raras de plantas, que eram consideradas “extintas” há 30 anos, foram encontradas na região do Quadrilátero Ferrífero, no centro-sul de Minas Gerais, em uma área protegida e mantida pela mineradora Vale.

A descoberta é de pesquisadores do Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas do Quadrilátero Ferrífero — desenvolvido por uma parceria entre universidades, instituições de pesquisa e a Rede Propagar, iniciativa científica e ambiental encabeçada pela Vale.

Há pelo menos 10 anos atuando na região, os pesquisadores já encontraram espécies que não eram vistas há mais de um século e, por conta da falta ou de poucos registros, consideradas potencialmente extintas.

As duas plantas encontradas agora são a Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena, cujo nome homenageia a poetisa brasileira.

Resistentes a condições de estresse térmico, são conhecidas como “sempre-vivas”, pelo fato de suas flores manterem a aparência mesmo em períodos de seca.

Assim como cerca de 30% das espécies do Quadrilátero Ferrífero, elas são endêmicas, ou seja, só existem nesta região, e em nenhum outro lugar do mundo, sobrevivendo em condições extremamente específicas.

A engenheira florestal da Vale, Ana Cristina Amoroso, explica que encontrar essas espécies pode aumentar a eficácia das ações de conservação ambiental:

“E aí a gente encontrar novas populações é ampliar o conhecimento sobre essas plantas. Suprir algumas lacunas de conhecimento que podem direcionar ações mais específicas, concretas, de conservação. Então assim, cada população encontrada num ambiente diferente, num substrato diferente, também é uma oportunidade pra gente conhecer melhor a biologia da planta, como ela se propaga, quão diversas essas plantas são, e o que seria necessário pra gente reintroduzir essas plantas nesse ambiente.”

Ao encontrar a planta, os cientistas coletam folhas, flores e frutos para diferentes processos de análises, como conta a engenheira:

“Cada tipo de material vai pra um determinado parceiro pra análise. Então parte do material é destinado pra estudos genéticos e outros estudos especializados, como os estudos de propagação. Esse é um dos diferenciais do projeto: tem toda essa integração entre o trabalho de campo, a taxonomia — a identificação correta do material —, as sementes, propagação e até, finalmente, a parte genômica.”

Esses novos estudos são fundamentais por fatores que vão desde reavaliar o risco de extinção de uma determinada espécie até a sua reintrodução no ambiente.

Segundo a pesquisadora, o desafio é tentar recriar os ambientes próprios para o desenvolvimento dessas plantas. Por isso, o mais importante é garantir a preservação das espécies da região:

“O que é importante mesmo é o que vai ser criado a partir daquele conhecimento, né? Qual que vai ser a estratégia de conservação que vai ser desenvolvida pra aquela espécie. O trabalho é justamente fazer uma ponte entre esse conhecimento e a conservação, né, tornando a atividade sustentável.”

Segundo os cientistas, a preservação das espécies é crucial para a integridade ecológica do Quadrilátero Ferrífero mineiro, frente aos prejuízos causados pela ação humana e as mudanças climáticas.

*Com produção de Lygia Maria e informações da Agência Brasil, sob supervisão de Vitória Elizabeth

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