São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Entenda a ecoansiedade, a preocupação com as consequências do clima

A ecoansiedade, chamada de ansiedade climática, é um sentimento generalizado de angústia e preocupações com as consequências das mudanças no clima. O fenômeno é relativamente novo e já está no radar de psicólogos, que recomendam o cuidado com a saúde

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Rádio Agência Nacional

Entenda a ecoansiedade, a preocupação com as consequências do clima
Créditos: Rádio Agência Nacional

A ecoansiedade, chamada de ansiedade climática, é um sentimento generalizado de angústia e preocupações com as consequências das mudanças no clima. O fenômeno é relativamente novo e já está no radar de psicólogos, que recomendam o cuidado com a saúde mental e envolvimento em atividades em prol do meio ambiente.

Os desastres climáticos estão cada vez mais frequentes. O Rio Grande do Sul teve 95% de suas cidades afetadas pelas chuvas intensas que atingiram o estado entre o fim de abril e o mês de maio. A estudante universitária, Lia Dias, fala da experiência dela.

"É muita preocupação, né? Porque a gente estuda muito, trabalha muito e a gente não tem certeza do futuro. A gente tem muito medo de conseguir o emprego dos sonhos, o diploma dos sonhos, ou até mesmo nem conseguir ainda e tudo terminar antes mesmo da gente conseguir alcançar os nossos objetivos por conta dessa crise climática. Agora o El Niño tá se aproximando, os estudos dizem que vai ser o pior de todos, o mais quente. Então assim, fica aquela angústia, tipo: nossa, será que meus parentes vão conseguir passar por isso? Será que eu vou perder alguém? Será que eu vou sobreviver a isso?"

O Cerrado registrou um aumento de 221% nas áreas de queimadas em agosto de 2024, segundo dados divulgados pelo Monitor do Fogo. A Amazônia enfrenta a pior seca já registrada, com os níveis de água dos rios da bacia amazônica atingindo mínimas históricas. Diante de tudo isso, profissionais da psicologia e psiquiatria têm observado um crescimento da ecoansiedade ou ansiedade climática. 

O levantamento revela que 74,3% das pessoas já vivenciaram consequências diretas de desastres, como enchentes, queimadas e ondas de calor, e aponta para os efeitos emocionais e psicológicos da crise climática na vida cotidiana da população. Mais da metade dos entrevistados relatam sentir-se nervosos, ansiosos ou inquietos; 58% demonstram medo, 51% diante das mudanças climáticas, enquanto que 44% se dizem excessivamente preocupados. A médica psiquiatra, Luciane Farias, esclarece quem mais sente o problema.  

"Embora qualquer pessoa possa desenvolver ansiedade climática, os estudos atuais mostram que ela é mais frequente entre adolescentes e adultos jovens. Justamente porque percebem que viverão por mais tempo com as consequências das mudanças climáticas. Também é mais comum em pessoas que vivem em regiões frequentemente atingidas por desastres naturais, como enchentes, secas e incêndios. Além de profissionais ligados às áreas ambiental, científica e da saúde. Outro grupo importante é formado por pessoas que já apresentam transtornos de ansiedade ou que têm maior sensibilidade emocional. Isso não significa que sejam mais frágeis, mas que podem perceber e vivenciar essas ameaças de forma mais intensa."

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