São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Calor extremo é ligado a 120 mil mortes no país

Um estudo inédito divulgado nesta semana revela que o calor extremo esteve associado a cerca de 120 mil mortes no país entre os anos 2000 e 2019. A pesquisa foi realizada por especialistas da Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia e analisou dado

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Rádio Agência Nacional

Calor extremo é ligado a 120 mil mortes no país
Créditos: Rádio Agência Nacional

Um estudo inédito divulgado nesta semana revela que o calor extremo esteve associado a cerca de 120 mil mortes no país entre os anos 2000 e 2019. A pesquisa foi realizada por especialistas da Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia e analisou dados de mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

Segundo o levantamento, os óbitos relacionados às ondas de calor representam 0,6% de todas as mortes registradas no período, desconsiderando acidentes e casos de violência.

A pesquisadora da Fiocruz, Beatriz Oliveira, explica que a estimativa considera a exposição prolongada a temperaturas extremas e mostra que esses eventos têm se tornado cada vez mais frequentes em todo o país.

"Isso foi um estudo que simulou a mortalidade atribuída, e a gente simulou esse número de 120 mil usando um critério de temperaturas elevadas, o calor extremo persistente. Esse calor persistente pode acontecer não somente no verão, mas em outros períodos do ano também. Esses eventos tendem a ser muito mais frequentes em termos de número de dias."

A maioria dos municípios brasileiros registrou aumento na frequência e na intensidade das ondas de calor nas últimas duas décadas. Os eventos foram mais comuns e duradouros nas regiões Norte e Centro-Oeste, enquanto os episódios mais intensos ocorreram no Sul e no Sudeste.

Nesse contexto, o estudo revela que as ondas de calor causaram um aumento do número total de internações por doenças respiratórias e renais na rede de saúde, além de elevar, por exemplo, os casos de gastroenterite entre crianças. Entre idosos, houve agravamento de doenças respiratórias, renais e metabólicas.

De acordo com Beatriz Oliveira, os pesquisadores identificaram uma associação consistente entre a exposição ao calor extremo e o aumento da mortalidade, principalmente entre idosos e pessoas com menor escolaridade. Fatores socioeconômicos ajudam a explicar por que os impactos são mais severos entre a população com menor nível de instrução.

"Indivíduos que têm menos escolaridade tendem a ser indivíduos também com menos capacidade de responder ao calor em termos de fatores socioeconômicos, de habitação, transporte e até de acesso ao serviço de saúde. Eles apresentaram maior risco de óbito comparado àqueles que têm maior escolaridade e provavelmente mais recursos para responder a esses eventos extremos."

Os autores do estudo defendem a ampliação de sistemas de alerta, ações de prevenção e o fortalecimento da capacidade de resposta do SUS para proteger a população diante de um clima cada vez mais quente.

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