São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Relatório mostra relação entre justiça climática e racismo ambiental

Cerca de 66% das pessoas que residem em áreas de risco nas cidades brasileiras são negras. Esse é um dos destaques do relatório "Sem Moradia Digna, Não Há Justiça Climática” feito pela ONG Habitat para a Humanidade Brasil. O levantamento foi apresent

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Rádio Agência Nacional

Relatório mostra relação entre justiça climática e racismo ambiental
Créditos: Rádio Agência Nacional

Cerca de 66% das pessoas que residem em áreas de risco nas cidades brasileiras são negras. Esse é um dos destaques do relatório "Sem Moradia Digna, Não Há Justiça Climática” feito pela ONG Habitat para a Humanidade Brasil. O levantamento foi apresentado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que acontece em Belém até o próximo dia 21 de novembro. 

A ONG chama atenção para um dado ainda pouco debatido pelos países: a relação crise climática versus crise habitacional. Segundo o relatório, somente 8% das metas climáticas apresentadas  voluntariamente por cada país tratam da questão urbana, favelas e comunidades; onde a crise climática destrói e danifica moradias e infraestrutura, acentuando a crise habitacional e urbana.

O relatório traz dados de 129 cidades brasileiras e revela que  66,58% da população residente em áreas de risco é negra. No Brasil, são cerca de 2,1 milhões de casas danificadas por desastres climáticos e 107 mil destruídas entre 2013 e 2022, por desastres ambientais. As  famílias mais afetadas? As chefiadas por mulheres negras. 

A publicação traz uma análise relacionando a desigualdade de moradia à questão climática - principalmente os desastres ambientais,  a partir de três dimensões: adaptação, as perdas e danos e a reconstrução quando o cidadão é afetado por desastres socioambientais. Essa reflexão no estudo vem a partir de perguntas simples: Quem ‘escolhe’ morar em área de risco — e por quê?  Para onde vai quem não tem pra onde ir? O que tem sido feito para minimizar o impacto do próximo desastre?

Respondendo a terceira questão, o estudo  destaca que há a confusão entre adaptação climática e remoções forçadas, que afastam comunidades inteiras de seus territórios e que vem sendo praticada pelos gestores públicos.

Em várias cidades, o poder público tem promovido deslocamentos forçados justificados por questões ambientais, as chamadas “remoções verdes”, sem participação popular e sem transparência. E as soluções de moradia digna e bem localizada ficam cada vez mais longe da realidade das famílias afetadas. Em outros casos, as falhas nas respostas emergenciais, com famílias voltando a áreas de risco por falta de políticas efetivas.

O relatório completo está disponível na página habitatbrasil.org.br

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