São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Povo Munduruku protesta na COP30 contra uso da floresta como negócio

Um protesto de indígenas nesta sexta-feira (14) marcou o início do quinto dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém do Pará. Por volta de 5h40, um grupo com cerca de 90 membros da etnia Munduruku ocupou a área

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Rádio Agência Nacional

Povo Munduruku protesta na COP30 contra uso da floresta como negócio
Créditos: Rádio Agência Nacional

Um protesto de indígenas nesta sexta-feira (14) marcou o início do quinto dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém do Pará. Por volta de 5h40, um grupo com cerca de 90 membros da etnia Munduruku ocupou a área externa de acesso à Zona Azul, espaço reservado apenas aos negociadores e pessoas credenciadas.

De forma pacífica, os indígenas exigem uma reunião de emergência com o presidente Lula.

"Exigimos nosso direito aqui. Nós mulheres, nós caciques, jovens, crianças, com nossos bebês no colo. Exigimos a presença do presidente Lula. Mas infelizmente, a gente não consegue, como sempre. Sempre somos barrados, nunca fomos ouvidos".

O povo Munduruku protesta contra as negociações climáticas internacionais que, segundo eles, tratam as matas nativas como meros ativos de crédito de carbono. Em alguns dos cartazes do grupo, era possível ler frases como "Nossa floresta não está à venda" e "não negociamos a Mãe Natureza".

"Deixa a população sem educação, sem saúde. E cadê a Justiça pra nós, (pra) defender aqui? Cadê o mundo, que fala que defende os territórios, que defende a Amazônia? A COP não fala por nós. A COP fala pelo interesse dos países e empresas destruidoras".

Brasília (DF) 14/11/2025 – Protesto na entrada principal da COP30. Foto: Gabriel Corrêa/Rádio Nacional - Gabriel Corrêa/Rádio Nacional

Os Munduruku também cobram a retirada imediata dos invasores das terras indígenas e pedem o fim do Marco Temporal — lei que limita aos povos originários o direito somente às terras que ocupavam na data em que a Constituição Federal foi promulgada, em 1988.

Um grupo de participantes da COP promoveu uma espécie de "cordão humano" para cercar e proteger os indígenas, que seguem ocupando o acesso à Zona Azul da conferência. O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, foi pessoalmente até o local para falar com os integrantes do protesto.

▶️Confira a cobertura da Radioagência Nacional para a COP30

O advogado Marco Apolo Santana, da Associação Wakoborun, acompanhou de perto as conversas, em representação aos indígenas.

"E elas se sentem excluídas. São as mesmas que fecharam a BR-163. Ou seja: parece que os governantes só ouvem quando o pessoal consegue fazer alguma manifestação, né? Felizmente, não houve violência. Houve um diálogo com o presidente da COP. Vai ter uma reunião agora, e espero que seja resolvido da melhor forma possível".

Apesar do protesto transcorrer de forma pacífica, o avanço dos indígenas foi bloqueado por soldados do Exército, que fecharam o acesso à Zona Azul da COP30. A movimentação impediu por algum tempo a entrada dos participantes à Conferência do Clima; mas logo em seguida, foi aberto um acesso alternativo pela área onde normalmente é realizada a saída do local.

O povo Munduruku vive principalmente na bacia do Rio Tapajós, na região oeste do Pará.

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