São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Especialistas questionam escolha de prêmio Nobel da Paz

Líderes, especialistas, governos e movimentos sociais criticaram a escolha da líder da extrema direita Venezuela para o Nobel da Paz

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Agência Brasil

Especialistas questionam escolha de prêmio Nobel da Paz
Créditos: Agência Brasil

Líderes, especialistas, governos e movimentos sociais criticaram a escolha da líder da extrema direita Venezuela para o Nobel da Paz. María Corina Machado é conhecida pelo apoio ao governo de Benjamin Netanyahu no genocídio em Gaza e tem repetidamente convocado a agressão armada contra a Venezuela.

O jornalista espanhol Ignacio Ramonet descreveu a situação como "a necrose de um Prêmio Nobel".

Por sua vez, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez afirmou que "a politização, o preconceito e o descrédito do Comitê Norueguês do Nobel da Paz atingiram limites inimagináveis".

O líder cubano descreveu a concessão deste prêmio em 2025 a "uma pessoa que instiga a intervenção militar em sua pátria" como "vergonhosa", chamando-a de "manobra política" para enfraquecer a liderança bolivariana.

O ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya Rosales declarou que "o Prêmio Nobel da Paz concedido a María Corina Machado é uma afronta à história e aos povos que lutam por sua soberania. Conceder o prêmio a um golpista, aliado das elites financeiras e de interesses estrangeiros, é transformar o símbolo da paz em um instrumento do colonialismo moderno".

"Nunca há paz quando aqueles que promovem sanções, bloqueios e guerras econômicas contra seu próprio povo são recompensados", enfatizou Zelaya.

O Prêmio Nobel da Paz (1980), Adolfo Pérez Esquivel, destacou que "Corina Machado faz parte da política dos EUA contra o governo venezuelano".

Ela recebeu o prêmio "não por ter trabalhado pela paz e pelo povo venezuelano. Estou preocupada que o Comitê Nobel tenha tomado essa decisão", disse ela.

Enquanto isso, Michelle Ellner, coordenadora da campanha latino-americana da plataforma americana Codepink, afirmou que María Corina Machado não é um símbolo de paz ou progresso.

“Quando vi a manchete ‘María Corina Machado ganha o Prêmio da Paz’, quase ri do absurdo. Mas não ri, porque não há nada de engraçado em conceder o prêmio a alguém cujas políticas causaram tanto sofrimento. Qualquer pessoa que conheça suas ideias sabe que não há nada remotamente pacífico em suas políticas.”

Ellner acredita que a adesão da oposição extremista de direita venezuelana à agenda dos EUA significou sanções, ataques terroristas e privatizações para o povo venezuelano, o que ela comparou à situação em Gaza.

“Na Venezuela, essa aliança significou golpes, sanções e privatizações. Em Gaza, significa genocídio e a eliminação de um povo. A ideologia é a mesma: a crença de que algumas vidas são descartáveis, que a soberania é negociável e que a violência pode ser vendida como ordem", observou.

Prêmio

Ao anunciar o nome de Maria Corina Machado para o Nobel da Paz, o Comitê Norueguês disse que ela foi laureada "por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela".

Em nota, o comitê diz diz o prêmio foi concedido "pelo trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia".

"Como líder do movimento pela democracia na Venezuela, Maria Corina Machado é um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos últimos tempos", afirmou o presidente do Comitê, Jørgen Watne Frydnes, em Oslo.

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