São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Israel autoriza entrada em Gaza de 100 caminhões de ajuda da ONU

A ONU foi autorizada por Israel a levar “cerca de 100” caminhões de ajuda humanitária para o território palestino da Faixa de Gaza, anunciou hoje o porta-voz do Gabinete de Assuntos Humanitários da organização, Jens Laerke

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Agência Brasil

Israel autoriza entrada em Gaza de 100 caminhões de ajuda da ONU
Créditos: Agência Brasil

A ONU foi autorizada por Israel a levar “cerca de 100” caminhões de ajuda humanitária para o território palestino da Faixa de Gaza, anunciou hoje o porta-voz do Gabinete de Assuntos Humanitários da organização, Jens Laerke.

Segundo adiantou o porta-voz em coletiva de imprensa, a autorização para as Nações Unidas também permitirá que organização recupere os primeiros cinco caminhões de ajuda enviados desde que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu anunciou que autorizaria a entrada de uma “quantidade básica de alimentos" para evitar a fome em Gaza.

A situação indignou várias organizações internacionais, como o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), cujo dirigente, Tom Fletcher, classificou a quantidade de ajuda autorizada hoje como “lamentável”.

Bombardeios

Também a agência da ONU para os refugiados palestinos, a UNRWA (na sigla em inglês) denunciou nesta terça-feira que “a única coisa que entra em Gaza são bombas”, em uma referência às dificuldades de entrada de ajuda humanitária apesar de Israel ter levantado o bloqueio.

“A intensificação dos bombardeios israelenses por via aérea, terrestre e marítima causou centenas de vítimas e deslocamento em massa. Durante 11 semanas, as autoridades israelenses bloquearam deliberadamente todos os mantimentos para Gaza”, lembrou a UNRWA em comunicado.

Segundo o informe, “a Faixa de Gaza enfrenta provavelmente a sua pior crise humanitária desde outubro de 2023”, quando teve início a ofensiva de Israel em resposta aos ataques de 7 de outubro de 2023 realizados pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e outras facções palestinas.

Da mesma forma a Oxfam Intermón – a filial espanhola da confederação de combate à pobreza – considerou que “o fluxo limitado” de ajuda para Gaza “não representa qualquer progresso” e apelou para a abertura de “corredores seguros” para permitir uma resposta humanitária “completa e adequada”.

A organização pediu ainda o fim dos “bombardeios incessantes” para que a situação não siga se agravando.

Lembrando que há mais de 70 dias Israel priva a população palestina de alimentos, água, medicamentos e mantimentos essenciais, ao mesmo tempo que intensifica a campanha de bombardeios, o líder da Osfam Intermón, Wassem Mushtaha, afirmou que dois milhões de pessoas estão à beira da fome.

As pessoas “estão famintas, e também traumatizadas, doentes e deslocadas das suas casas”, alertou.

Por isso, acrescentou, “o fluxo limitado de ajuda para Gaza não pode ser confundido com um progresso significativo, especialmente tendo em conta a expansão da brutal campanha de bombardeios de Israel na Faixa de Gaza”.

Esta autorização de acesso de alguns caminhões com ajuda “não é um ponto de virada, mas sim, na melhor das hipóteses, uma pequena concessão que parece refletir a crescente pressão internacional”, acrescentou.

Israel bloqueou a entrada de qualquer ajuda humanitária ao território palestino em 2 de março, quando quebrou o cessar-fogo que estava em curso entre Telavive e o Hamas.

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