São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Presidente convoca Japão a investir no Brasil e critica protecionismo

Em reunião com empresários brasileiros e japoneses, em Tóquio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou, nesta quarta-feira (26), o Japão para investir mais no Brasil argumentando que o país é um “porto seguro” em um mundo marcado por turbulên

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Agência Brasil

Presidente convoca Japão a investir no Brasil e critica protecionismo
Créditos: Agência Brasil

Em reunião com empresários brasileiros e japoneses, em Tóquio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou, nesta quarta-feira (26), o Japão para investir mais no Brasil argumentando que o país é um “porto seguro” em um mundo marcado por turbulências com o crescimento do negacionismo climático e do protecionismo comercial.

“É fundamental que parceiros históricos se unam para enfrentar as incertezas e instabilidades da economia global. Estou seguro de que precisamos avançar com a assinatura de um acordo de parceria econômica entre Japão e Mercosul. Nossos países têm mais a ganhar pela integração do que pelo recurso de práticas protecionistas”, afirmou o presidente no Fórum Empresarial Brasil-Japão.

Em seu discurso para o empresariado japonês, Lula argumentou que o Brasil vive um momento de estabilidade política, econômica e social.

“O Brasil é um porto seguro, como foi para os japoneses em 1908, nós queremos ser em 2025 atraindo parcerias, joint ventures e investimentos japoneses no nosso país”, destacou. Em 1908, ocorreu uma forte onda migratória de japoneses ao Brasil.

O presidente brasileiro lamentou a redução do comércio entre Brasil e Japão de US$ 17 bilhões, em 2011, para U$S 11 bilhões, em 2024. “Algo não andou bem na nossa relação e é preciso aprimorá-la”, comentou.

Para Lula, a viagem ao Japão pode consolidar uma nova estratégia de relacionamento entre as duas nações. “Nós queremos vender e queremos comprar, mas, sobretudo, nós queremos compartilhar alianças entre as empresas japonesas e as empresas brasileiras para que a gente possa crescer juntos”, completou.

Durante a viagem do presidente ao Japão, foi anunciado acordo da empresa brasileira Embraer com a ANA, maior companhia aérea japonesa, para compra de 20 jatos E-190 da Embraer. “Quem compra 20 pode comprar um pouco mais e quem sabe todas as empresas japonesas podem voar de avião da Embraer”, disse Lula.

Presidente Lula da Silva, durante reunião bilateral com o Primeiro-Ministro do Japão, Shigeru Ishiba, na sala Kacho-no-Ma, do Palácio Akasaka. 

Foto:  Ricardo Stuckert

Ao todo, foram assinados dez acordos de cooperação entre Brasil e Japão e outros 80 compromissos entre instituições subnacionais, como bancos e universidades. Além disso, o Japão anunciou a intenção de enviar missão técnica ao Brasil para avaliar as condições da produção de carne bovina aqui no país, passo necessário para abertura do mercado japonês para o produto brasileiro, uma demanda histórica do Brasil.

Segunda Guerra Fria

Lula ainda criticou o que chamou de uma “segunda Guerra Fria” e defendeu o multilateralismo, que é o princípio que orienta os países a negociarem coletivamente saídas para os problemas comuns. Esse princípio se contrapõe ao bilateralismo, quando os países tomam decisões sem levar em consideração o conjunto, ou a maior parte, da comunidade global.

Além da aplicação de tarifas comerciais, o governo de Donald Trump tem se notabilizado pela rejeição ou abandono dos mecanismos multilaterais de cooperação internacional, como as Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial do Comércio (OMC) ou a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Negacionismo climático

Outro destaque do discurso do presidente no Japão foi a crítica ao negacionismo climático da extrema-direita, que nega a existência do aquecimento da terra promovido, principalmente, pela queima de combustíveis fósseis. Isso em um momento que a transição energética sofre um golpe com o governo Trump, que anunciou a saída do Acordo de Paris e rejeita qualquer compromisso climático. 

“A democracia corre risco no planeta, com eleição de uma extrema-direita negacionista que não reconhece sequer vacina, não reconhece sequer a instabilidade climática e não reconhece sequer partidos políticos, sindicatos e outras coisas”, comentou Lula, que destacou ainda a realização da COP30, em Belém (PA), neste ano, para discutir o tema.

Brasil-Japão 

O Japão é o segundo maior parceiro do Brasil na Ásia, atrás apenas da China, e o 11º maior parceiro comercial do Brasil no mundo. Além disso, o Japão abriga a quinta maior comunidade de brasileiros no exterior, com 200 mil pessoas. O país é ainda o nono que mais investe no Brasil, com estoque de US$ 35 bilhões em 2023, aumento de 23% em relação ao ano anterior.

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