São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Superaquecimento de reator da USP deve atrasar atividades de pesquisa

O superaquecimento de componentes dos painéis de controle do reator de pesquisa IEA-R1, que fica na Universidade de São Paulo (USP), dentro do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) na tarde de segunda-feira (23) deve atrasar a retomad

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Agência Brasil

Superaquecimento de reator da USP deve atrasar atividades de pesquisa
Créditos: Agência Brasil

O superaquecimento de componentes dos painéis de controle do reator de pesquisa IEA-R1, que fica na Universidade de São Paulo (USP), dentro do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) na tarde de segunda-feira (23) deve atrasar a retomada das atividades de pesquisa, informou a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). 

O superaquecimento levou à evacuação de prédio com o reator e deve atrasar retomada de produção de radioisótopos de uso médico.

Embora o incidente tenha gerado fumaça e danificado parte dos painéis, não houve risco de comprometimento da segurança nem vazamento de radiação. 

O prédio foi vistoriado pela brigada mantida pela própria instituição, pelo Corpo de Bombeiros, pelas equipes do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), e pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). 

"Até o momento, não há diagnóstico das causas do superaquecimento. Foram dois painéis de controle comprometidos. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo foi acionada para medir a qualidade do ar, para trabalhos internos”, informou o Cnen em nota. 

“A empresa emprestou uma bomba que já está em operação no local, para remoção total do ar. Como o reator não estava operando, os painéis particularmente não executavam qualquer ação. Já foi contratada uma empresa para execução do laudo técnico e orçamento para instalação de novos painéis", explicou o Cnen.

A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) também fez vistorias no prédio, nos dias 24 e 25, e informou que o incêndio teve natureza localizada e atingiu um conjunto de racks, afetando cabeamento, parte do teto e uma cadeira. 

Os inspetores da ANSN acessaram a sala de controle atingida e constataram a ausência de risco radiológico associado ao evento.

Segundo o Ipen/Cnen o reator de pesquisa encontrava-se desligado no momento da ocorrência. 

"Vale destacar que, mesmo com o reator fora de operação, alguns sistemas permanecem energizados, para garantir condições adequadas de segurança, tais como o sistema de refrigeração dos circuitos primário e secundário e o sistema de aquisição de dados operacionais, dentre outros", disse o órgão.

O Ipen informou ainda que os módulos de controle potencialmente danificados passarão por avaliação técnica, com acompanhamento e aprovação da ANSN, que recomendou a realização de limpeza industrial especializada e acompanhará a reforma do local.

O reator, que tem 68 anos, opera com um núcleo de urânio e tem 12 estações de pesquisa, parte delas utilizada para a produção de elementos radioativos de uso médico ou em agricultura. 

Desde o começo de novembro de 2025 passava por readequações que paralisaram sua operação, após a identificação de alterações em elementos refletores de grafite durante medições realizadas em um duto de irradiação, informou o Ipen.

"Embora o evento não tenha representado comprometimento da segurança nuclear, a equipe responsável pela operação optou pela suspensão imediata das atividades como medida prudencial, a fim de evitar a progressão de danos a componentes do núcleo”, esclareceu a ANSN. 

O Brasil tem atualmente quatro reatores nucleares de pesquisa, todos vinculados à Cnen, sendo o IEA-R1 o maior, com potência licenciada de 5 MW. 

Os reatores nucleares de pesquisa atuam na produção de radioisótopos para a medicina nuclear, no fornecimento de fontes radioativas para aplicações industriais, no desenvolvimento de pesquisas científicas e na formação e o treinamento de pessoal licenciado. 

Também em São Paulo, na cidade de Iperó, está em construção um reator mais moderno, com previsão de entrega até 2029 e capacidade de 30 MW. 

De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) esse reator garantirá a autossuficiência na produção do radioisótopo Molibdênio-99, essencial para a obtenção do Tecnécio-99m, utilizado em diagnósticos médicos. 

O reator possibilitará ainda a nacionalização de outros radioisótopos usados em diagnóstico e terapia, além de ser parte do ciclo de desenvolvimento de combustíveis nucleares e materiais utilizados nos reatores das centrais nucleares brasileiras e em novas tecnologias, como os pequenos reatores modulares.

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