São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Pesquisadores com soluções para comunidades recebem Prêmio Finep

O pesquisador Tiago Calves Nunes foi o primeiro de sua família a chegar ao ensino superior na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Ingressou no doutorado, criou empresa e viu sonhos se realizarem

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Agência Brasil

Pesquisadores com soluções para comunidades recebem Prêmio Finep
Créditos: Agência Brasil

O pesquisador Tiago Calves Nunes foi o primeiro de sua família a chegar ao ensino superior na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Ingressou no doutorado, criou empresa e viu sonhos se realizarem. 

O filho de pescador e de dona de casa queria ajudar produtores rurais no pantanal e criou um pesticida sustentável à base de um fungo. Nessa quarta-feira (8), ele foi aplaudido e se emocionou ao receber o Prêmio Finep, na etapa Centro-Oeste na categoria Deep Tech.

Inovação

Como no caso de Tiago Nunes, a ideia do prêmio é estimular a descentralização da pesquisa.  “Meu pai foi pescador profissional, homem simples, trabalhador, que tirava o sustento das águas do Pantanal”. 

A pesquisa feita por ele transformou micro-organismos invisíveis em soluções para regenerar o solo, fortalecer as plantas e devolver a dignidade a quem vive da agricultura. 

“Ao segurar esse prêmio, eu lembro do menino que ajudava o pai, na beira do rio, que sonhava em estudar. Hoje estamos aqui, mostrando que educação cria futuro”. 

Diversidade regional

O presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, explicou que o prêmio de inovação, que retornou após dez anos, busca valorizar a diversidade regional, o potencial criativo e o compromisso de fazer com que o conhecimento chegue a mais brasileiros. 

Ele entende ser importante descentralizar o desenvolvimento, olhar ciência e tecnologia em todos os cantos do país. “O prêmio busca reconhecer, fortalecer e dar visibilidade às soluções que brotam em cada território e que, somadas, constroem o Brasil do conhecimento”. 

Elias explicou que, entre 2023 e 2025, foram contratados, na Região Centro-Oeste, cerca de R$ 2,3 bilhões em 319 projetos, sendo R$ 1,1 bilhão em 2025.

“Os temas apoiados refletem a força e a diversidade dessa região. Nanotecnologia, sustentabilidade agrícola, saneamento ambiental, biotecnologia de baixo carbono, tratamento de minérios, ciência animal, agroquímica e bioquímica”, disse o presidente da empresa.

Ele lembrou que, em nações desenvolvidas, a ciência e a inovação são pilares estruturantes do processo de crescimento.

O presidente da Finep informou que, em todo o Brasil, entre 2019 e 2022, foram contratados cerca de R$ 13 bilhões em 1,8 mil projetos. Entre 2023 e 2025, esse valor subiu para R$ 40 bilhões em cerca de 4.700 projetos”. 

Interação

O presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ricardo Galvão, também presente ao evento, disse que um dos desafios que preocupa pesquisadores brasileiros é a exploração das “terras raras”. “Nós temos que investir muito no conhecimento brasileiro e em inovação. Estamos trabalhando para que essa interação entre academia e setor produtivo seja cada vez mais eficiente”

Outro projeto que serve de exemplo de como a pesquisa pode colaborar com as comunidades foi o vencedor na categoria “Cadeias Agroindustriais Sustentáveis” com o título  de “Soluções tecnológicas para o aproveitamento integral do babaçu e pequi”. 

O projeto propõe transformar os frutos em bioinsumos para as indústrias alimentícia e cosmética, reduzindo o desperdício de 70% para quase zero. Responsável pelo projeto, a coordenadora do Instituto Senai, Natália Olívia de Souza, explicou que serão desenvolvidos produtos como óleos e alimentos em um modelo de bioeconomia circular que fortalece comunidades extrativistas e agricultores. 

“Podemos proporcionar o desenvolvimento de um reaproveitamento de dois grandes representantes da nossa cultura regional. Vamos poder transferir essa tecnologia para agricultores familiares”, afirmou. Para ela, verificar que a inovação está chegando na ponta é emocionante. 

Mulheres

A edição 2025 do Prêmio Finep incluiu um destaque para o melhor projeto coordenado por mulheres. O escolhido foi o da pesquisadora Maria Lígia Rodrigues Macedo, realizado por uma equipe de 27 mulheres.

Em mensagem em vídeo, a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, destacou a importância do papel fundamental das mulheres na construção de uma ciência e inovação mais plural. “Não é só questão de justiça, mas de excelência, porque a diversidade produz uma ciência melhor”, afirmou. 

O projeto consistiu na primeira plataforma nacional aberta de proteínas e peptídeos com aplicações biotecnológicas.

“Inovar precisa de paridade e equidade. Esse país de inovação ainda vai demorar um pouco para ter equidade, mas a paridade já começou faz tempo”. 

Confira os vencedores por categoria

- Categoria Deep Tech: "Pantabio - Primeiro biopesticida à base de Trichoderma do Pantanal: desenvolve bioinsumos microbiológicos a partir de microrganismos nativos do Pantanal, com destaque para cepas de Trichoderma altamente resilientes às condições tropicais extremas. A solução promove regeneração de solos, controle biológico e ganhos expressivos de produtividade", de Tiago Calves Nunes - Categoria Cadeias Agroindustriais Sustentáveis - "Soluções tecnológicas para o aproveitamento integral do babaçu e pequi: o projeto transforma o babaçu e o pequi em bioinsumos inovadores para as indústrias alimentícia e cosmética, reduzindo o desperdício de 70% para quase zero",  do Instituto Senai de Tecnologia de Alimentos.

- Categoria Infraestrutura de P&D em ICTs - “Fortalecimento da infraestrutura dos Laboratórios de Agricultura Digital e de Purificação de Proteínas e suas Funções Biológicas”, da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

- Categoria “Ambiente de Inovação - “Consolidação e modernização das instalações do Laboratório IFMaker: o projeto moderniza o Laboratório IFMaker do IF goiano, espaço de inovação e prototipagem multidisciplinar, com estações de eletrônica, impressão 3D, robótica, drones e realidade aumentada/virtual”, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia goiano. 

Categoria Transformação digital da indústria para ampliar a produtividade - “Reconhecimento de bovinos através de imagens: solução digital pioneira para a pecuária brasileira, que usa inteligência artificial e visão computacional para identificar e rastrear bovinos de forma automática”, da Kerow Soluções em Precisão.

Categoria Bioeconomia, Descarbonização, Transição e Segurança Energéticas - “Película fotoluminescente para incremento de eciência energética em módulos fotovoltaicos - o projeto busca incrementar a eciência de conversão de energia em painéis solares fotovoltaicos através da aplicação de películas poliméricas fotoluminescentes dopadas com terras raras”, da Anexo Energia.

Categoria Complexo econômico industrial da saúde - “Cell4vision: plataforma biológica de células tronco em nanoscaolds biomiméticos para tratamentos regenerativos em oftalmologia”, da Universidade Federal de Goiás. 

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