São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Exposição de artista maranhense exalta identidade latina e ancestral

Um dos nomes em ascensão da nova leva de artistas visuais brasileiros, prestes a completar 44 anos, o maranhense Thiago Martins de Melo inaugurou esta semana, em São Luís, sua primeira exposição individual

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Agência Brasil

Exposição de artista maranhense exalta identidade latina e ancestral
Créditos: Agência Brasil

Um dos nomes em ascensão da nova leva de artistas visuais brasileiros, prestes a completar 44 anos, o maranhense Thiago Martins de Melo inaugurou esta semana, em São Luís, sua primeira exposição individual.

A coletânea - batizada de Cosmogonia Colérica -, reúne 21 obras produzidas entre 2013 e 2025. Ela ocupa salas do Convento das Mercês e do Espaço Cultural Chão SLZ, que ficam no Centro Histórico de São Luís.  

Germano aponta alguns aspectos considerados no processo de escolha das peças da mostra que materializam a identidade do artista. Ele diz que “a ideia foi não exatamente criar uma exposição cronológica, mas, sim, que pudesse pegar um nervo, pudesse sintetizar os principais eixos espirituais, políticos e estéticos da trajetória de Thiago. Eu acho que o núcleo da obra é exatamente essa profusão de linguagens, formas e temas. E esse título - Cosmogonia Colérica - fala muito sobre criações, criação do mundo e sobre gênese, mas sempre com muita força, muita energia e carga, argumenta.

Os trabalhos aglutinam história, política, misticismo e espiritualidade. O título Cosmogonia Colérica aponta para essa conjugação entre criação e fúria, entre gênese e confronto materializando batalhas, ritos sincréticos e epifanias.

Vocabulário

“Pessoas que talvez nunca tenham ouvido falar do Thiago e que talvez não sejam tão próximas do campo da arte contemporânea. Eu acho que ele oferece uma riqueza de profundidade temática, conceitual, visual, formal, mas ele pode ter uma dimensão muito aberta, muito popular. Acho que é um trabalho de forte impacto visual, que traz imagens muito claras, muito fortes. [Algo que] consegue percorrer questões figurativas e abstratas, questões mais conceituais e  mais diretas, mais claras, literais até, de forma muito sensível, muito singular. De um jeito muito próprio. E é um artista de um vocabulário, de um repertório, de um universo tão rico, e que está sempre falando das questões humanas”, enfatiza.

Mulher observa trabalho feito sobre drywall e quatro monitores de TV no Convento das Mercês - foto - Tomaz Silva/Agência Brasil

Thiago diz que as escolhas dos temas abordados no seu trabalho transmutam sua identidade, vivências e suas referências visuais, bem como pesquisas literárias sobre assuntos que quer materializar em suas obras. 

O artista diz que “vejo o meu trabalho a partir do lugar onde nasci, minha identidade está fincada na América Latina, na luz, nas cores, nas lutas e no respeito à ancestralidade. Nós somos um povo mestiço, por isso muitas narrativas espirituais, míticas e lendárias são fusões de narrativas europeias, indígenas e africanas com as mesmas histórias contadas de maneiras diferentes em muitas regiões. Também fui muito influenciado pela iconografia hermética e pela alquimia, assim como pelo tarô.”

Bagagem artística

Nascido em 1981, em São Luís, Maranhão, o artista vive e trabalha entre as terras ludovicenses, São Paulo e Guadalajara, no México. Ele abriu exposições individuais em várias cidades no Brasil como na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre; no Museu Nacional da República, em Brasília; no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista; e na Fundação Joaquim Nabuco, no Recife.

Também participou de dezenas de exposições coletivas dentro e fora do país, com destaque para a Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, 31ª Bienal de São Paulo,  primeira Bienal das Amazônias, a Bienal de Lyon, na França e a 12ª Bienal de Dakar, no Senegal, entre outras. 

Seus trabalhos integram coleções permanentes em museus voltados para a arte contemporânea em cidades como Miami, em Oslo (Fearnley Museum de Arte Moderna), o Masp e a Pinacoteca, em São Paulo; e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

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