São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Traço do arquiteto faz de Brasília cidade única aos 65 anos

O cenário da rotina e da correria na metrópole de 2,9 milhões de habitantes encanta os olhos acostumados e também os desavisados

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Agência Brasil

Traço do arquiteto faz de Brasília cidade única aos 65 anos
Créditos: Agência Brasil

O cenário da rotina e da correria na metrópole de 2,9 milhões de habitantes encanta os olhos acostumados e também os desavisados. Encanta também os poetas, como Caetano Veloso, que disse que tinha um amor grande que passaria “além do céu de Brasília”, do “traço dos arquitetos” (Lúcio Costa e Oscar Niemeyer).

"Gosto tanto dela assim”, afirmou Caetano. O que tem no chão desperta curiosidade pelos seus diferentes caminhos.

A cidade, inaugurada há 65 anos e que só cresce, foi criada para expressar modernidade, integração e liberdade, segundo o arquiteto e urbanista Alberto de Faria, que é professor do Centro Universitário de Brasília (Ceub). 

“A obra de Niemeyer estabelece referências visuais desse novo país, moderno e com oportunidades para todos”, afirma o professor.

Encontros

Uma dessas curiosidades é que, de fato, Brasília foi projetada sem esquinas. “Os encontros acontecem nas áreas verdes entre os comércios e as superquadras (residenciais), sem cruzamento com fluxos de veículos”, lembra Alberto de Faria. Ele explica que a ideia foi promover uma nova dinâmica urbana. 

Por falar nessa imagem urbana, um mito é que Brasília foi desenhada pelo arquiteto Lúcio Costa em formato de avião. Segundo o especialista, essa interpretação é lúdica e não técnica, e teria sido difundida pela designação do nome Plano Piloto. 

Lúcio Costa desenhou o plano piloto de Brasília com base em uma cruz: um eixo monumental (no sentido leste-oeste) cruzando com um eixo residencial (curvo, no sentido norte-sul). Ele descreveu sua proposta como uma "síntese entre a tradição e a modernidade", e queria uma forma simples e funcional.

Parque gigante

Um fato que orgulha o brasiliense é que o Parque da Cidade se tornou o maior do gênero em espaço urbano do país. De acordo com o professor Alberto de Faria, o parque tem 420 hectares, o que equivale a 4,2 quilômetros quadrados. 

“O Parque da Cidade Sarah Kubitschek, em Brasília, é maior do que o Central Park de Nova Iorque. É um espaço de convivência amplo e democrático, muito utilizado pela população de todas as idades”, explica. 

Participação de operários

Painel de azulejos do pintor, escultor e arquiteto Athos Bulcão, na parede lateral da  Igrejinha  de  Nossa Senhora  de Fátima - Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Nesse ir e vir, na concepção do arquiteto Oscar Niemeyer, prédios da cidade teriam liberdade de circulação para diminuir cercas e barreiras. Outro elemento dessa visão diferenciada são os icônicos painéis de azulejos de Athos Bulcão. “Os painéis foram montados com liberdade pelos operários”. 

Inclusive, a primeira igreja católica de Brasília, a Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, é um exemplo da colaboração entre arquitetura e arte. “O projeto de Niemeyer, com os painéis de Athos Bulcão, cria espaços acolhedores para reflexão espiritual, trazendo referências de liberdade e desenvolvimento espiritual”, destaca o professor.

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