São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Governador da Bahia pede investigação sobre atuação da PM em chacina

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, pediu para a Polícia Civil investigar um “possível exagero” da Polícia Militar na operação que terminou com 12 suspeitos de integrar uma facção criminosa mortos, em Fazenda Coutos, no subúrbio de Salvador, n

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Agência Brasil

Governador da Bahia pede investigação sobre atuação da PM em chacina
Créditos: Agência Brasil

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, pediu para a Polícia Civil investigar um “possível exagero” da Polícia Militar na operação que terminou com 12 suspeitos de integrar uma facção criminosa mortos, em Fazenda Coutos, no subúrbio de Salvador, na terça-feira (4). A afirmação foi feita em transmissão ao vivo na internet sobre o balanço do carnaval na Bahia, na noite desta quarta-feira (5).

“Nós pedimos que todo o estudo seja feito para averiguar se houve algum exagero pela polícia”, disse Rodrigues. “O estudo está acontecendo para a gente poder averiguar se há algum exagero”, completou.

“Essa comunidade tinha sido violentada e, por muito tempo, durante dois dias a comunidade estava se queixando com a polícia, mandando pedidos de presença. E a inteligência detectou através de câmeras a disputa de duas facções. Uma delas, se colocando como vencedora, ganhou espaço e queria mandar, proibindo as pessoas de circularem, e de imediato a Polícia Militar estudou a área, mas eles enfrentaram a polícia e, por conta disso, 12 tombaram”, afirmou o governador.

Investigação

Após a chacina, o Ministério Público (MP) da Bahia instaurou procedimento para investigar a atuação da Polícia Militar. O procedimento ficou a cargo dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp).

Ontem, o MP se reuniu com as Secretarias de Segurança Pública (SSP) e de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), e com o comando das polícias Militar e Civil para discutir encaminhamentos quanto às investigações sobre a intervenção policial.

“Estamos em interlocução direta com as autoridades policiais e forças de segurança, acompanhando todos os passos da investigação, com o Gaeco e o Geosp, no levantamento das informações, principalmente das perícias, para que todas as circunstâncias sejam apuradas com a devida transparência”, disse o procurador Geral de Justiça e chefe do MP da Bahia, Pedro Maia.

Análise do cenário

Após a chacina, o Instituto Fogo Cruzado defendeu a necessidade de se repensar a política de segurança pública no estado. Dados compilados pelo Fogo Cruzado mostram que esta é a 100ª chacina em Salvador e na Região Metropolitana desde o início do levantamento de dados na Bahia, em julho de 2022. Desse total, 67% das chacinas envolvem policiais resultando em 261 mortos.

Para a coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado na Bahia, Tailane Muniz, os números mostram que a política de segurança precisa ser pensada para proteger todos os cidadãos.

“Quando 12 pessoas morrem numa ação policial, fica claro que a prioridade é o confronto e não a proteção. Os moradores da região enfrentaram mais de sete horas de um intenso tiroteio, o transporte público suspenso, e a pergunta que fica é: quais os resultados disso? O que vai mudar depois de tanto tiroteio e tantas mortes? Os dados de chacina ajudam a entender que mesmo com tanta morte ainda carecemos de uma política eficiente e que dê os resultados esperados pela população”, disse Tailane à Agência Brasil.

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