São Paulo, 20 de Outubro de 2026
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Governo Central tem déficit de R$ 48,2 bilhões em junho

Os gastos com saúde e Previdência fizeram o Governo Central registrar déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Tesouro Nacional

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Agência Brasil

Governo Central tem déficit de R$ 48,2 bilhões em junho
Créditos: Agência Brasil

Os gastos com saúde e Previdência fizeram o Governo Central registrar déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Tesouro Nacional.

O resultado representa aumento em relação ao mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo foi de R$ 44,2 bilhões, e é o maior déficit registrado para o mês desde 2023, em valores corrigidos pela inflação.

Nos últimos 12 meses, o déficit acumulado chegou a R$ 144,1 bilhões, o equivalente a 1,08% do Produto Interno Bruto (PIB).

Como ficou

O resultado de junho foi formado por:

Tesouro Nacional: déficit de R$ 2,45 bilhões; Previdência Social: déficit de R$ 50,47 bilhões; Banco Central: déficit de R$ 155 milhões.

O maior impacto negativo continuou vindo da Previdência Social, cujas despesas superaram as receitas do sistema.

O que é déficit?

O resultado primário mede a diferença entre tudo o que o governo arrecada e tudo o que gasta, sem considerar os juros da dívida pública.

Quando as receitas são maiores que as despesas, há superávit. Quando os gastos superam a arrecadação, há déficit.

Esse indicador é acompanhado de perto porque mostra a capacidade do governo de manter as contas públicas equilibradas.

Entre janeiro e junho, o Governo Central acumulou déficit de R$ 92,2 bilhões.

O resultado é superior ao déficit de R$ 11,3 bilhões observado no mesmo período de 2025.

No semestre, o saldo foi composto por:

Superávit do Tesouro Nacional: R$ 144,3 bilhões; Déficit da Previdência Social: R$ 236,2 bilhões; Déficit do Banco Central: R$ 324 milhões.

Receita cresce

Apesar do resultado negativo, a arrecadação aumentou em junho.

A receita líquida do Governo Central somou R$ 195,2 bilhões, alta de 10,3% acima da inflação sobre o mesmo mês de 2025.

Entre os principais fatores que impulsionaram a arrecadação estão:

aumento da arrecadação da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); crescimento da receita do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); maior arrecadação do Imposto de Importação; avanço das receitas obtidas com a exploração de recursos naturais, impulsionadas pelos royalties e pela comercialização de petróleo e gás da União.

No acumulado do ano, a receita líquida alcançou R$ 1,255 trilhão, crescimento real (acima da inflação) de 5,6%.

Despesas aumentam

As despesas também cresceram.

Em junho, os gastos totais chegaram a R$ 243,4 bilhões, alta real de 9% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Os principais aumentos ocorreram em:

benefícios previdenciários; ações na área da saúde; abono salarial e seguro-desemprego; despesas com pessoal; créditos extraordinários, incluindo medidas ligadas à política de subsídios ao diesel.

No acumulado do semestre, as despesas totalizaram R$ 1,347 trilhão, crescimento real de 12,3%, ritmo superior ao da arrecadação.

Entre as maiores altas no ano estão:

benefícios previdenciários (+R$ 44,8 bilhões); despesas discricionárias (+R$ 41,9 bilhões); precatórios e sentenças judiciais (+R$ 35,6 bilhões); gastos com o funcionalismo e encargos sociais (+R$ 20,5 bilhões).

Dividendos caem

As receitas de dividendos pagos por empresas estatais diminuíram.

Em junho, o governo recebeu R$ 2,39 bilhões, abaixo dos R$ 2,75 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.

No acumulado do ano, os dividendos somam R$ 10,47 bilhões, contra R$ 24,95 bilhões no primeiro semestre do ano passado.

Investimentos avançam

Os investimentos federais, gastos com obras públicas e compra de equipamentos, cresceram em junho.

Foram aplicados R$ 7,75 bilhões, alta real de 18% sobre o mesmo mês de 2025.

De janeiro a junho, os investimentos alcançaram R$ 49,8 bilhões, avanço real de 65,7% na comparação anual.

Meta fiscal

A meta fiscal do governo para 2026 prevê um superávit primário de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB. O valor desconsidera gastos com precatórios e algumas despesas com saúde, educação e defesa excluídas da meta.

A legislação estabelece uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, permitindo que o resultado fique zerado ou atinja superávit de 0,5% do PIB sem que a meta seja considerada descumprida.

Na última revisão do Orçamento, divulgada na semana passada, o governo projetou encerrar o ano com superávit de R$ 10,8 bilhões após os abatimentos permitidos por lei. Sem esses descontos, a estimativa oficial aponta para déficit de R$ 52 bilhões.

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